Depois de duas rodadas de negociação da Campanha Salarial 2026/2027, o Sindicato dos comerciários reconhece os avanços pontuais, mas também manifesta sua indignação diante da sensação de retrocesso que começa a surgir quando propostas apresentadas pelo SINDIEMPRESAS, na Terceira mesa, realizada nesta quarta-feira (26), que deveriam representar evolução nas relações de trabalho não acompanham as necessidades reais dos comerciários.

A negociação coletiva existe justamente para avançar: melhorar salários, preservar direitos, aperfeiçoar as cláusulas sociais e construir relações de trabalho mais equilibradas.

O próprio histórico desta campanha demonstra que o SINTRACS SR entrou na mesa apresentando uma proposta de piso de R$ 1.725,00 de julho a dezembro de 2025 e R$ 1.790,00 de janeiro a junho de 2027, enquanto as contrapropostas patronais ficaram abaixo desse patamar.

O SINTRACS SR não está defendendo o conflito pelo conflito.

Estamos defendendo respeito à mesa de negociação.

Queremos construir uma Convenção Coletiva que seja capaz de reconhecer o trabalhador como parte fundamental do desenvolvimento do comércio.

O comerciário vende, atende, organiza, repõe, administra, entrega, limpa, resolve problemas e mantém diariamente a engrenagem do comércio funcionando.

Não existe comércio forte com trabalhador desvalorizado.

E não existe negociação equilibrada quando apenas um lado apresenta argumentos econômicos enquanto o outro precisa justificar permanentemente por que merece ganhar mais.

Indignação não significa abandonar o diálogo

Muito pelo contrário.

A indignação precisa servir para fortalecer a negociação.

O caminho agora é continuar dialogando, apresentar números, comparar realidades, defender a pauta aprovada pelos trabalhadores e buscar uma proposta que represente efetivamente avanço.

O SINTRACS SR continuará sentado à mesa.

Mas estará sentado com a categoria na memória, com suas necessidades na pauta e com a responsabilidade de não transformar uma negociação coletiva em instrumento de perda de direitos ou de achatamento salarial.

A negociação precisa avançar.

Porque o trabalhador não pode sair de uma campanha salarial perguntando:

“Depois de tanto trabalho, tanto diálogo e tanta negociação, estamos conquistando ou estamos retrocedendo?”

Essa é a pergunta que precisa ser respondida.

INDIGNAÇÃO!
Não contra a negociação.

Indignação contra qualquer tentativa de transformar negociação em retrocesso.

A categoria quer salário digno, direitos preservados, melhores condições de trabalho e respeito.

E é por isso que a luta continua.